sábado, 28 de novembro de 2009



____________________________________________________
ESPECIALIZAÇÃO TECNOLOGIA DA EDUCAÇÃO

INCLUSÃO E TECNOLOGIAS ASSISTIVAS – SEMINÁRIO VIRTUAL - TRABALHO EM GRUPO


Objetivo: Realizar a apresentação de um seminário utilizando formas variadas de construção coletiva on-line.

Tema: Surdez profunda, conhecendo apenas LIBRAS para comunicação, não sendo oralizado nem conhecendo português.

Equipe: Delnyze Dyanne Alves Facundes Fernandes, Jane Gleide Boa Sorte Menezes, Reginalva Gomes das Neves, Liliane Batista Coutinho Duques, Luis Gustavo Santos Encarnação.

Nome do grupo: Falo LIBRAS, e você?

____________________________________________________

TRAJETO DE UM ALUNO COM DEFICIÊNCIA EM UMA SALA INCLUSIVA


Perfil do aluno:
Idade – 15 anos.
Série – 7ª série.
Sexo – Feminino.
Dificuldades específicas – Comunicação.
Deficiência – Surdez.

____________________________________________________

QUESTÕES ANALISADAS PARA A INCLUSÃO REAL DESTA ALUNA


• Sua preparação prévia como professor para iniciar o processo educacional com este aluno.

Inicialmente, antes de começar o ano letivo, o professor deverá ser avisado, pela Direção da escola, que receberá um aluno especial e qual é sua deficiência. O professor deverá ler ou pesquisar sobre a deficiência do aluno especial que ele terá durante o ano letivo.


• Diagnóstico das condições do aluno, que sejam importantes para sua integração na sala de aula.

A Sala Multifuncional deverá, antes do aluno ser incluído na sala regular, fazer um diagnóstico deste aluno:
· Relatando seu histórico familiar;
· Se a surdez é congênita ou não;
· Se o aluno sabe LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais;
· Se tem noção do Português;
· Se foi alfabetizado em LIBRAS ou em Língua Portuguesa.


• Solução para entraves ao desenvolvimento didático devido à deficiência

O material das aulas deve ser adaptado aos surdos, ou seja, utilização de imagens, pequenos textos, mapas, fotos, artigos visuais.


• Adaptação do aluno à sala.

Os professores da Sala Multifuncional se posicionam da seguinte forma:
· Fazem a sensibilização a respeito da surdez com todos os alunos, de todas as salas e não só as que vão receber alunos surdos em sua sala. Apresentam os colegas surdos e salientam que a diferença é o ponto principal na convivência dos indivíduos;
· Conversam com os alunos ouvintes sobre as possíveis causas e efeitos da surdez, e sobre as dificuldades da surdez e enfatizando sempre o respeito pela diferença porque no mundo em que vivemos um é diferente do outro, e é nossa obrigação deixamos bem claro que é dessa maneira que se forma a sociedade.

A respeito das adaptações:
· As adaptações deveriam ocorrer na construção do planejamento. Deveria ser um planejamento especial onde todos tivessem as mesmas chances de entendimento, por exemplo: trabalhar mais com o visual, trabalhar com o lúdico, com exibições de filmes legendados, com jogos, com mapas, com globos, com apresentações teatrais, e sempre utilizar os esquemas das aulas no quadro, além de deixar registrado sempre por escrito todas as mudanças ocorridas nas datas de avaliações, nos trabalhos, nas provas, e avisar ao aluno surdo toda e qualquer mudança em dias e horários ou conteúdo sempre colocando os avisos no quadro na sala multifuncional;
· Quanto às avaliações, orienta-se, sempre, aos professores que caso façam atividades em grupos que tenham o cuidado nas divisões dos grupos para sempre inserir o aluno surdo em equipes que tenha ouvintes;
· Orienta-se, também, aos professores que sempre quando houver necessidade que procurem a sala multifuncional para orientá-los com as dificuldades e fazer a ponte entre eles e o aluno.
A integração do aluno surdo em classe comum não acontece como em um passe de mágica. É uma conquista que tem que ser feita com muito estudo, trabalho e dedicação de todas as pessoas envolvidas no processo: aluno surdo, família, professores, psicólogos, assistentes sociais, alunos ouvintes, demais elementos da escola, etc
Para os surdos, a Língua Portuguesa é um instrumento lingüístico que não se apresenta como recurso que vem facilitar o intercâmbio com o mundo, mas um obstáculo que precisam transpor com grande dificuldade. Por outro lado, a
LIBRAS não é código universal que possibilita tradução, mas sim, a interpretação, quando se procura estabelecer uma correspondência entre as duas línguas.
O aluno surdo deve freqüentar o sistema regular de ensino, porque é um cidadão com os mesmos direitos que qualquer outro. Ele precisa de um modelo orientador da Língua Portuguesa, de ficar exposto ao modelo lingüístico nacional, pois é no ambiente dos ouvintes que ele viverá sempre. A aprendizagem de uma língua efetiva-se realmente quando alguém tem o contato direto com os falantes dessa língua.


• Para a integração do aluno surdo em classe comum é recomendável que:

· A escola estruture-se quanto aos recursos humanos, físicos e materiais;
· O processo ocorra após o período de alfabetização, quando o educando já possui razoável domínio da Língua Portuguesa (falada e/ou escrita). No entanto, de acordo com as condições que ele apresentar, nada impede que a integração ocorra na pré escola ou em qualquer outra série;
· A escola, que vai receber este aluno, tenha conhecimento da sua forma de comunicação;
· A escola só o recebe para inclusão em classe comum, quando houver garantia de complementação curricular com Sala de Recursos, professores itinerantes ou intérprete de LIBRAS;
· A escola organize a classe comum de forma que não tenha mais de 25 alunos, incluindo o integrado;
· Sua idade cronológica seja compatível com a média do grupo da classe comum que irá freqüentar;
· A Escola comum mantenha um trabalho sistemático visando a participação da família no processo educacional.

Os professores e demais profissionais que atuam junto ao aluno surdo na escola regular devem ser informados de que, embora ele possa não ter uma linguagem claramente expressa, poderá ter mais chances de integrar-se, se os profissionais, principalmente o professor da classe comum, estiverem atentos para os seguintes itens:
· Aceitar o aluno surdo sem rejeição;
· Ajudar o surdo a pensar, raciocinar, não lhe dando soluções prontas;
· Não manifestar conduta de superproteção;
· Tratar o aluno normalmente, como qualquer aluno, sem discriminação ou distinção;
· Não ficar de costas para o aluno, ou de lado, quando estiver falando;
· Preparar os colegas para recebê-lo naturalmente, estimulando-os para que sempre falem com ele;
· Chamar sua atenção, através de um gesto convencional ou de um sinal;
· Colocar o aluno nas primeiras carteiras da fila central ou colocar a turma, ou o grupo em círculo ou semi-círculo, para que ele possa ver todos os colegas, e para que seus colegas laterais possam servir-lhe de apoio;
· Utilizar todos os recursos que facilitem sua compreensão (dramatizações, mímicas, materiais visuais);
· Utilizar a língua escrita, e se possível, a Língua Brasileira de Sinais;
· Estimular o aluno a se expressar por escrito e por sinais cumprimentando-o pelos sucessos alcançados; colocá-lo a par de tudo o que está acontecendo na comunidade escolar;
· Interrogar e pedir sua ajuda para que possa sentir-se um membro ativo e participante;
· Incluir a família em todo o processo educativo;
· Avaliar o aluno surdo pela mensagem-comunicação que passa e não somente pela linguagem que expressa ou pela perfeição estrutural de suas frases;
· Solicitar ajuda a Sala Multifuncional, sempre que for necessário;
· Procurar obter informações atualizadas sobre educação de surdos;
· Utilizar, se for necessário, os serviços de intérpretes;


• Adaptações físicas da sala

As adaptações físicas da sala devem ser a sinalização, já que o surdo usa o visual para apreender.


• Ações de acolhimento coletivas, que incluam os demais alunos e outros atores da escola

Quanto ao acolhimento dos alunos surdos em sala de aula, devemos ter bastante cautela no que diz respeito à cooperação da comunidade escolar no sentido de tornar mais fácil a adaptação desses alunos ao ambiente escolar. A seguir podemos citar algumas atitudes que facilitam a vida do aluno surdo na sala de aula:
- os alunos surdos devem ficar sempre na primeira fila, na sala de aula.
- é sempre útil fornecer uma cópia dos textos com antecedência para o intérprete, assim como uma lista da terminologia técnica utilizada na disciplina, para o aluno tome conhecimento das palavras e do conteúdo da aula a ser lecionada;
- a utilização de um intérprete em LIBRAS;
- o aluno surdo necessita de tempo extra para responder aos testes;
- o professor deve falar com naturalidade e clareza, não exagerando no tom de voz;
- quando utilizar o quadro ou outros materiais de apoio audiovisual o professor deve primeiro expor os materiais e só depois explicar ou vice-versa (ex: escrever o exercício no quadro ou no caderno e explicar depois e não simultaneamente);
- as questões ou comentários durante as discussões ou conversas devem ser interpretados em LIBRAS pelo intérprete, para melhor entendimento do aluno;
- datas e informações importantes devem ser anotadas no quadro ou no caderno, para assegurar que foram entendidas;
- antes de se fazer qualquer esclarecimento para o aluno surdo, é bom chamar-lhe a atenção com um pequeno toque em seu ombro.


• Execução de exercícios e provas, Avaliação do aluno e outros temas relevantes

A educação bilíngüe é direito dos surdos, em que sua língua natural e primeira língua seja a língua de sinais, assim como o direito ao aprendizado da língua portuguesa.
O exercício efetivo da sua cidadania é viabilizado com o desenvolvimento de uma educação bilíngüe d qualidade, em que o domínio da oralidade não é pré-requisito para o acesso aos conteúdos curriculares, da leitura e da escrita.
Qualquer ato de observação e análise do professor do processo de aprendizagem doa alunos surdos, dando atenção especial à comunicação visual: língua de sinais, gestos naturais, mímica, desenho, etc. é uma forma ímpar na interação, evitando antecipar julgamentos com base apenas na sua experiência de aprendizagem.
Os caminhos pensados em sala com vistas a promoção da aprendizagem, devem primar por situações significativas e agradáveis, sem perder de vista a clareza e o objetivo traçados nas atividades de linguagem escrita, ou de leitura, ou de arte, ou de outra atividade.
É importante ressaltar a atenção do professor em todas as formas de manifestação lingüísticas ou não, expressa pelo aluno surdo. Vale lembrar também, que o aluno surdo pode não resolver sozinho algumas atividades, entretanto, pode chegará rapidamente a solução com ajuda do professor ou de um colega. Outro ponto fundamental, é a necessidade do professor conhecer a língua de sinais, dessa forma ampliaria a capacidade de interação verbal com os alunos durante as situações de sala de aula.
Em se tratando das avaliações, elas poderão ser através de diálogos (orais), através de trabalhos coletivos em que outro aluno pode ser o escriba. Outra forma de avaliação é a promoção de jogos cooperativos, motivando a solidariedade e mostrando aos seus alunos o respeito as diferenças, estimulando o interesse e a criatividade em atividades de recreação, debates e reflexões de temas anteriormente trabalhados. É necessário o preparo dos alunos no desempenho das tarefas, no intuito de uma atividade compartilhada por todos os alunos. Esta forma de organização de trabalho pedagógico cria vínculos com os alunos surdos.
A formação de habilidades cognitivas e aquisição de conhecimentos devem ser as estratégias pedagógicas, incentivando o aluno a fazer escolhas, manifestar suas idéias, expressar pensamentos, tirar dúvidas com os colegas e com o professor.
O aluno surdo requer uma avaliação individualizada e de meios de intervenção didático-pedagógicas variadas, uma vez que apresenta particularidades educativas diferenciadas. A avaliação criteriosa e completa do aluno se viabiliza com o empenho de toda equipe que acompanha o aluno surdo.

Sugerimos alguns materiais pedagógicos e procedimentos que auxiliam o percurso da aprendizagem do aluno surdo:
Alfabeto manual - é um recurso utilizado pelos surdos para ‘soletrar’ nomes próprios ou palavras do português para as quais não há equivalente em língua de sinais. Vale lembrar que de nada adiantará a soletração pelo professor se o significado da palavra for desconhecido para o aluno.
Mímica/dramatização – são recursos possíveis na comunicação, que poderão acompanhar ou enriquecer os conteúdos discutidos em sala de aula e que, embora não exerçam a função simbólica de uma língua, dão conta de constituir significados mais relacionados ao aqui e agora.
Desenhos/ilustrações/fotografias - poderão ser aliados importantes, pois trazem, concretamente, a referência ao tema que se apresenta. Toda a pista visual pictográfica enriquece o conteúdo e estimula o hemisfério cerebral não-lingüístico, tornando-se um recurso precioso de memorização para todos os alunos.
Recursos tecnológicos (vídeo/TV, retroprojetor, computador, slides, entre outros) – constituem instrumentos ricos e atuais para se trabalhar com novos códigos e linguagens em sala de aula. A preferência deve ser por filmes legendados, pois isto facilita o acompanhamento pelos surdos. No entanto, é sempre bom estar discutindo, previamente, a temática a ser desenvolvida, o enredo, os personagens envolvidos, pois caso a legenda não seja totalmente compreendida, por conta do desconhecimento de algumas palavras pelos alunos surdos, não haverá prejuízo quanto à interiorização do conteúdo tratado.


Aqui temos sugestões de atividades avaliativas com foco na escrita:
Apresentação de textos de naturezas diferentes (dissertativos, narrativos, informativos e outros), propondo as seguintes atividades:
1º passo: O texto inicial é contado em língua portuguesa oral e em língua de sinais, pelo professor ou pelo aluno;
2º passo: Todos os alunos, individualmente, recontam a história usando a criatividade (ex: maquetes com cenário móvel, jogos de palitos, bonecos, miniaturas);
3º passo: Os alunos passam para a produção individual ou coletiva do texto. É preciso ter cuidado para não interferir, neste momento, no texto do aluno, seja na estrutura, seja no vocabulário. (Pode haver escrita do português com a estrutura da língua de sinais).
4º passo: Processo de reelaboração do texto de um aluno para o português formal.

Avaliação - Análise de conteúdo
O texto precisa ter início, meio e fim. Observar se o aluno conseguiu transmitir sua mensagem.
Na avaliação primeiramente devem ser observados os aspectos semânticos (conteúdo). Em seguida a seqüência lógica das idéias e, finalmente, estruturação frasal mínima para se ter a compreensão do texto.
No processo de reelaboração devem ser trabalhados e cobrados também os aspectos formais (morfologia e sintaxe).
Os aspectos formais (gramaticais) devem ser cobrados à medida que forem sendo estudados. Num determinado texto cobra-se os verbos de ligação ausentes; num outro, as concordâncias e assim por diante.

Aspectos relevantes na avaliação da produção escrita dos surdos
- Primordialmente aspectos semânticos: conteúdo e seqüência lógica.
- Gradativamente e isoladamente: estruturação frasal, ortografia e a gramática propriamente dita (artigos, elementos coesivos: preposições, conjunções e pronomes, verbos de ligação, concordâncias, ordem sintática (SVO), ortografia)

Exemplo: Texto

“O médico procurar o algodão é escondido. O médico está achando o algodão muito espertos”.

Texto reestruturado
“O médico procurou o algodão. O algodão estava escondido. O médico achou o algodão. Como o médico é esperto!”

Os professores deverão elaborar propostas e critérios para a avaliação, observando:
a. O nível da escrita;
b. A análise do conteúdo do texto;
c. A análise da seqüência lógica das idéias;
d. Os “erros” que evidenciam a condição de aquisição da escrita em uma segunda língua;
e. A comparação entre a língua escrita e a língua de sinais.
· Desenvolvimento de atividades visando integração com os outros alunos.
· Trabalhos cooperativos com outros alunos.
· Interação com a família do aluno.

Deve-se buscar parceria com os pais para que eles venham á escola orientar o professor e os colegas como se comunicar com o aluno. Caso os pais, também, não saibam se comunicar com o filho, covidá-los para assistir aulas de LIBRAS com uma pessoa habilitada que venha á escola oferecer esse curso.
Realizar leituras em grupos de classicos da literatura em LIBRAS. As avaliações devem ser adaptadas para os surdos, contendo imagens e questões objetivas para não dificultar muito para o aluno, nem para o professor.
____________________________________________________

Nenhum comentário:

Postar um comentário